A celebração do nascimento de Anna Lins de Guimarães Peixoto Bretas reacende a paixão de leitores e admiradores pela marcante poesia de Cora Coralina. Nascida em 20 de agosto de 1889 na cidade de Goiás, a doceira que se tornou uma das maiores escritoras do Brasil deixou um legado fundamentado na simplicidade, nos saberes populares e nos afetos cotidianos.
poesia de Cora Coralina: principais pontos
Apesar de ter frequentado apenas a escola primária e de ter começado a escrever aos 14 anos, Anna Lins levou sete décadas para publicar sua primeira obra literária. Em 1911, mudou-se para São Paulo e, em 1925, casou-se com um advogado mineiro. O casal teve seis filhos, 15 netos e 30 bisnetos, residindo em cidades paulistas como Avaré, Jaboticabal, Andradina, Penápolis e na capital.
Após ficar viúva em 1934, retornou à sua cidade natal em 1956, instalando-se na mesma casa em que nasceu. Ali, dedicou-se à fabricação de doces por 14 anos. Foi nessa época que criou, na data do seu próprio aniversário, o Dia do Vizinho e o Dia do Cozinheiro, reforçando a importância comunitária de quem prepara a mesa e de quem vive ao lado.
Foi somente aos 75 anos que a doceira Aninha se projetou nacionalmente como a poeta Cora Coralina, publicando o livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Com 90 anos, a escritora recebeu o reconhecimento explícito do poeta Carlos Drummond de Andrade, que ressaltou publicamente a relevância de sua obra para a literatura brasileira.
O acervo e as lembranças na Casa-Museu
Em 2010, o programa Viva Maria esteve na Casa-Museu de Cora Coralina, na cidade de Goiás Velho. A visita contou com a presença da poetisa Kênia Silva, conhecida como Maria Quarquê, e da médica Lívia Martins, que percorreram os cômodos e visualizaram os tachos de cobre utilizados na produção dos doces cristalizados de mamão, laranja e figo.
Durante a visita, guias do museu relembraram momentos marcantes da vida da escritora, como o acidente aos 83 anos, quando ela caiu da calçada e fraturou o fêmur direito, passando a usar muletas. Na sala interna, conhecida historicamente como varanda, Cora costumava receber visitantes em sua poltrona para declamar versos e conversar.
Mesmo após o sucesso literário, a autora mantinha o orgulho de sua produção artesanal na cozinha, afirmando considerá-la tão expressiva quanto sua produção escrita:
“Não sou uma ex-doceira, sou uma doceira e considero melhores os meus doces do que os meus versos. Sou poeta por acaso e doceira por convicção e necessidade”, declarava a autora.
O legado literário e a imortalidade nas palavras
Cora Coralina faleceu em 10 de abril de 1985, aos 95 anos, na cidade de Goiânia. Ao longo de sua carreira, publicou sete livros que retratam a essência e a arquitetura das ruas goianas:
- Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
- Meu Livro de Cordel
- Estórias da Casa Velha da Ponte
- O Tesouro da Casa Velha
- Vintém de Cobre
- Meninos Verdes (infantil)
- A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (infantil)
A memória de sua escrita permanece viva na cidade de Goiás, local que ela celebrava afetivamente em prosa e verso como o cenário fundamental de sua existência e criação.
RM NEWS | Redação Multimídia
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