Durante uma edição especial do Jornal da Manhã, da Rádio Caturité, a professora e responsável pelo Memorial do São João, Cléa Cordeiro, relembrou a trajetória do Parque do Povo e ressaltou a importância de preservar as tradições que fizeram de Campina Grande referência nos festejos juninos.
Segundo Cléa, o Parque do Povo é muito mais do que o principal palco do Maior São João do Mundo. “É como se fosse o coração que fica pulsando durante o ano inteiro”, afirmou, destacando que o espaço recebe diversos eventos, mas permanece diretamente ligado à identidade da festa junina campinense.
Ao abordar a história do evento, ela lembrou que o São João já existia na cidade muito antes da criação da marca “O Maior São João do Mundo”. De acordo com a pesquisadora, o título foi idealizado na gestão do ex-prefeito Ronaldo Cunha Lima, sendo utilizado pela primeira vez em 1983. “O São João sempre existiu. O que Ronaldo criou foi o Maior São João do Mundo com esse nome e essa divulgação”, explicou.
Cléa também destacou a construção da tradicional Pirâmide do Parque do Povo, inaugurada em 1986. Inspirada no formato de uma fogueira de São João, a estrutura chegou a ser chamada de “forródromo” por jornais da época, em referência ao sambódromo carioca, mas o apelido não foi adotado pela população. “Ficou a Pirâmide. A voz do povo prevaleceu”, comentou.
A professora ainda lembrou que, antes da construção do Parque do Povo, a área era conhecida como os Coqueiros de Zé Rodrigues e apresentava características completamente diferentes das atuais. “Ninguém imaginava que pudesse acontecer o que acontece hoje. Foi muito trabalho”, ressaltou.
Durante a entrevista, Cléa também defendeu a valorização dos ritmos tradicionais no período junino. Para ela, embora a festa esteja aberta a novas influências, é importante preservar a identidade cultural construída ao longo das décadas. Nesse contexto, destacou a relevância dos concursos de trios de forró, que incentivam músicos a manterem viva a essência do gênero.
“É muito bonito ver o nível dos trios, a preocupação com a indumentária, com a escolha das músicas e com a presença de palco. Isso fortalece a cultura e estimula novos artistas”, afirmou.
RM NEWS l Redação Multimídia
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