O papa Leão XIV criticou, nesta quinta-feira (16), o que chamou de “um punhado de tiranos” que estão devastando o mundo com guerras e exploração. Ele fez a declaração durante mensagem de paz no epicentro de um conflito separatista em Camarões, considerado uma das crises mais negligenciadas do mundo.
O papa pediu uma mudança decisiva de rumo, afastando-se da guerra e da exploração de terras e populações. “O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas é sustentado por uma multidão de irmãos e irmãs solidários”, disse.
O discurso acontece após nova provocação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (15). Ele pediu, de forma irônica, o papa fosse informado dos, segundo ele, “42 mil manifestantes inocentes e desarmados” mortos pelo Irã “nos últimos dois meses.”
A briga entre o presidente americano e o líder da Igreja Católica, começou no último domingo (12), após o presidente norte-americano dizer que Prevost deveria “parar de ceder à esquerda radical”. Também chamou o pontífice de fraco no combate ao crime e péssimo em política externa.
Leão viajou para a cidade de Bamenda, no oeste de Camarões, onde multidões comemoraram sua chegada, buzinando e dançando. A população celebrou a visita do papa devido à possibilidade de maior visibilidade internacional à violência que afeta a região há quase uma década.
‘Mudança decisiva de rumo’
Durante discurso na Catedral de São José, Leão elogiou a iniciativa e alertou contra o uso da religião em conflitos. Ele condenou aqueles que manipulam a fé para ganhos militares, econômicos ou políticos. “Bem-aventurados os que promovem a paz! Mas ai daqueles que manipulam a religião e o nome de Deus para seus próprios interesses”, afirmou.
O conflito em Camarões tem raízes no período colonial, quando o país foi dividido entre França e Reino Unido. Em 2017, separatistas de regiões de língua inglesa iniciaram uma rebelião contra o governo central. Desde então, mais de 6.000 pessoas morreram e mais de 600 mil foram deslocadas.
