A possibilidade da vereadora de Fortaleza, Priscila Costa (PL) , ser vice de Flávio Bolsonaro passou a ser considerada, nos bastidores, como uma alternativa com implicações que vão além da estratégia eleitoral.
Relatos de interlocutores da pré-campanha indicam que o nome da parlamentar ganhou espaço após agendas recentes com o senador, que fez menções públicas ao seu desempenho político.
Um dos pontos de atenção dentro do Partido Liberal diz respeito à própria viabilidade da composição.
Como Priscila Costa é filiada ao PL, sua eventual indicação implicaria, na prática, a formação de uma chapa composta exclusivamente por integrantes do mesmo partido , reduzindo a margem para alianças partidárias mais amplas.
Nos bastidores, esse fator é considerado relevante, especialmente em uma eleição presidencial, na qual a construção de coalizões costuma ter papel decisivo.
Impacto eleitoral e estratégico
A avaliação sobre o nome de Priscila também está relacionada a fatores eleitorais mais amplos.
O Nordeste segue sendo uma região estratégica, historicamente associada ao presidente Lula, mas que vem sendo monitorada por mudanças recentes de percepção econômica.
Além disso, há interesse em ampliar a presença junto ao eleitorado feminino e a segmentos religiosos organizados, que têm peso relevante em campanhas nacionais.
Priscila Costa reúne algumas dessas características : possui base eleitoral consolidada no Ceará, atuação em estruturas partidárias voltadas ao público feminino e vínculo com lideranças religiosas.
Disputa no Ceará influencia decisão
No Ceará, a composição para o Senado tem gerado divergências dentro do partido. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem apoiado o nome de Priscila Costa , enquanto o deputado federal André Fernandes articula a candidatura de seu pai, Alcides Fernandes.
A situação expõe diferentes correntes internas do PL e aumenta a pressão por uma solução que evite fragmentação política no estado.
Nesse contexto, a eventual indicação de Priscila para a vice-presidência surge como uma possibilidade de reorganizar o cenário local, ao mesmo tempo em que projeta o nome da parlamentar em nível nacional.
Leitura de analistas
Para o marqueteiro especializado na direita Davi Morgado, a hipótese de composição segue uma lógica de convergência de fatores.
“Há uma combinação de elementos que tende a ser considerada em decisões desse tipo: desempenho eleitoral prévio, capacidade de inserção regional, diálogo com segmentos específicos do eleitorado e viabilidade de crescimento nacional.”
“No caso, trata-se de um nome que reúne presença no Nordeste, atuação no eleitorado feminino e conexão com bases religiosas organizadas. Esses fatores, em conjunto, costumam pesar na montagem de chapas presidenciais”, disse Morgado.

