O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou o balanço financeiro de 2025 em segunda votação, após a anulação do primeiro pleito por falha no sistema. O resultado final registrou 210 votos contrários, 24 favoráveis e três abstenções. Na apuração anterior, o placar havia sido de 194 a 34.
A nova votação foi realizada entre a noite de quinta (27) e sexta (28), após a identificação de que o sistema digital utilizado estava configurado para voto secreto. De acordo com o regimento, a análise de contas exige votação aberta.
Motivo da reprovação
O principal ponto levantado pelos conselheiros foi a presença de R$ 7 milhões classificados como “fundo promocional da presidência”, sem comprovação de finalidade. A inconsistência foi apontada em análise conduzida pela empresa RSM.
Esses valores integram uma investigação conduzida por força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Um dos inquéritos apura a movimentação de R$ 11 milhões em contas do clube durante a gestão de Júlio Casares.
Segundo a defesa do ex-dirigente, R$ 4 milhões foram destinados a despesas com arbitragem e pagamento de premiações a jogadores.
Números do balanço
Apesar da reprovação, o clube apresentou crescimento financeiro em 2025. O faturamento atingiu R$ 1 bilhão, enquanto a dívida total foi reduzida em R$ 100 milhões, passando de R$ 968,2 milhões em 2024 para R$ 858,2 milhões.
Por outro lado, as despesas aumentaram de R$ 908 milhões para R$ 943 milhões no período.
Impactos e próximos passos
Não há previsão de sanções imediatas para a atual gestão, liderada por Harry Massis Júnior. Ainda assim, a reprovação do balanço pode impactar a percepção do mercado, especialmente em negociações de patrocínios e operações de crédito.
Uma nova reunião está prevista para a primeira semana de abril, quando o Conselho deve analisar pedidos de empréstimo do clube.
Em cenário mais amplo, o caso pode afetar a permanência do São Paulo no Profut, programa federal que permite o parcelamento de dívidas fiscais e trabalhistas.
Já em relação a Júlio Casares, a reprovação abre caminho para eventual processo interno por gestão temerária, o que pode resultar em sanções administrativas dentro do clube.

