Nos bastidores do especial De Pertinho, da Band FM, a dupla Zé Neto e Cristiano contou, em entrevista exclusiva ao Band.com.br, que a amizade vem antes da carreira e que, se algo na música atrapalhar a relação entre eles, a dupla chega ao fim. Zé Neto também revelou que escondeu problemas de saúde mental por um período para não prejudicar os negócios. Além disso, o artista contou onde ganha mais dinheiro: na música ou nos empreendimentos da fazenda.
Amigos antes de tudo
Durante a conversa, Cristiano destacou a solidez da relação entre os dois, reforçando que a parceria profissional nunca superará o laço afetivo construído desde a infância. “O Zé foi criado pelos meus pais e eu fui criado pelos pais do Zé, então a gente tem o privilégio de ter quatro pais”, recordou.
O cantor reforçou que o projeto musical é, acima de tudo, o legado de suas famílias. “O Zé Neto e Cristiano é fruto do Zezinho e do Irineu, não o contrário. O Zezinho e o Irineu sempre vão prevalecer na dupla”, afirmou. Os nomes de nascimento de Zé Neto e Cristiano são José Toscano Martins Neto e Irineu Táparo Vaccari, respectivamente.
Cristiano ainda afirmou que ambos tem maturidade para lidar com as tensões da profissão, garantindo que o combinado de priorizar a amizade acima de tudo, firmado no ínicio da carreira, permanece inabalável mesmo após terem enfrentado momentos em que a união foi colocada à prova, como quando precisou apoiar Zé Neto no auge dos vícios e da depressão.
Zé Neto chegou a esconder problemas de saúde mental
O artista também abordou o delicado processo de cuidar da saúde mental. Ele admitiu que a imagem de “homem forte” exigida pelo meio sertanejo, somada a restrições comerciais impostas pelo antigo escritório, o impediu de falar abertamente sobre depressão. Segundo o cantor, havia um receio de que a exposição pública da fragilidade impactasse a agenda de shows e a confiança dos contratantes.
“A gente não podia expor. As pessoas iam ter essa certa dúvida da dupla: pô, o cara não está bem, será que ele vai, até quando vai, era uma bomba relógio”, explicou. No entanto, o artista avaliou que o momento de pausa foi necessário para recuperar o equilíbrio. “A gente resolveu parar pra se tratar, pra realmente voltar ao nosso equilíbrio”, concluiu.
Mais tarde, durante o De Pertinho, Zé Neto abriu o jogo sobre a batalha que enfrentou contra o vício em cigarro eletrônico, álcool e remédios, que prejudicou gravemente sua saúde e quase interrompeu sua carreira. O artista afirmou que o uso do dispositivo foi o principal fator para o desgaste de sua capacidade vocal e respiratória.
“Isso é o pior atraso de vida que qualquer ser humano pode ter. Ele acabou com a minha voz na época, não tinha fôlego”, desabafou o cantor.
Zé Neto relatou que, mesmo com dificuldades físicas, tentava cumprir a agenda de shows, o que gerava um desgaste emocional ainda maior.
Eu cantava para cumprir tabela. Eu via as pessoas olhando e falando: ‘Meu Deus, acabou, né?’. Aquilo me dava uma tristeza tão grande”, disse.
Suporte fundamental de Cristiano
Durante o período crítico, a relação com seu parceiro de dupla, Cristiano, foi decisiva. O amigo relembrou a angústia de ver o Zé em depressão e o medo constante de perdê-lo.
“Chegou a um ponto em que não era mais a dupla. Era aquele molequinho que a gente cresceu junto”, contou.
O cantor revelou que chegou a cogitar o fim da parceria por não suportar ver o estado de saúde do amigo.
“Falei entre os empresários: o Zé vai morrer”.
Cristiano revelou que um dos momentos de maior desespero durante o agravamento da depressão do parceiro foi a preocupação com o futuro de Zé Neto, especialmente em relação ao seu filho. O artista confessou que a imagem da criança o perseguia, gerando um sentimento de culpa constante pela omissão ou pela continuidade da agenda de shows.
Chegou um ponto em que eu tinha pesadelos todos os dias com a imagem do filho do Zé chegando em mim e perguntando: ‘Você deixou meu pai morrer? Você não fez nada? Você era o único que podia ter feito, era o único que tinha força para isso e não fez”, afirmou.
O parceiro de carreira ainda relembrou um momento marcante em Jaguariúna, quando, diante da fragilidade de Zé Neto, reforçou o compromisso entre ambos: “Irmão, eu vou sangrar até a última gota para você. Enquanto tiver sangue aqui, a gente sangra junto”.
Segunda chance e recuperação
A decisão de buscar ajuda e interromper o uso do cigarro eletrônico trouxe uma nova fase para o sertanejo. “Graças a Deus, Deus restaurou minha voz. Comecei a cantar na igreja, comecei a louvar a Deus e assim as coisas foram andando”, celebrou Zé Neto.
Atualmente, o cantor mantém acompanhamento médico e afirma que sua voz já está recuperada em 99%. A superação do vício e da depressão consolidou a união da dupla, que, conforme Cristiano, coloca a amizade de longa data acima dos interesses comerciais. “Tudo que eu fiz, eu sei que ele faria para mim, em dobro”, concluiu.
Zé Neto ganha bem com a fazenda?
Zé Neto, que é proprietário de algumas fazenda, confessou, em tom bem-humorado, os altos custos de manutenção das propriedades rurais.
Apesar dos gastos, Zé Neto reconheceu que a atividade tem seus lucros, especialmente com a criação de gado Nelore, mas foi claro ao colocar a música como a fonte principal de renda do grupo.
“Tem umas fazendas que dão muito gasto, né? E tem umas que dão lucro também, então balanceia ali. Mas a música, sem dúvida, é a renda principal hoje”, declarou.
Ao final da entrevista, os artistas celebraram o sucesso do novo álbum “Vocês & Deus”. O DVD foi gravado no final de março no Rio de Janeiro. Sete faixas inéditas já estão disponíveis nas plataformas de streaming da dupla sertaneja. O projeto conta com 20 faixas inéditas, e os cantores destacaram as canções Cadeira Cativa, Plano C e Onde Eu Deixei de Ser como grandes apostas do projeto.

